Agentes policiais de todas as delegacias ligadas ao Departamento de Investigações Criminais (DEIC) realizam plenária na próxima segunda-feira, dia 6 de fevereiro, a partir de 18 horas, no pátio do DEIC. Os policiais civis vão deliberar sobre o estrito cumprimento de atribuições previstas em lei (*) e participação em operações policiais. A iniciativa antecipa contrariedade da categoria, que vota indicativo de greve, no dia 7 de março, quando está marcada assembleia geral do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia (Ugeirm).O DEIC é um dos departamentos mais numerosos da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Nele estão reunidas as equipes que investigam homicídios, quadrilhas organizadas e crimes contra a Fazenda pública. Foi do DEIC, por exemplo, a investigação de contratos de publicidade de prefeituras gaúchas que resultaram na Operação Cartola, deflagrada em 2011. O chefe de Polícia, delegado Ranolfo Vieira Júnior, deixou uma delegacia do DEIC antes de assumir o atual cargo.“Os agentes policiais ficaram indignados com a proposta salarial feita pelo Palácio Piratini. Há ampliação do abismo salarial na Polícia Civil. O sindicato quer negociar, mas, a persistir esse tipo de proposta, é o governo que vai decretar nossa greve. Foi a pior proposta que já ouvi na vida. Foi uma proposta vergonhosa”, reagiu Isaac Ortiz, presidente da Ugeirm.Em recente negociação já concluída pelo governo, o vencimento inicial de um delegado da Polícia Civil vai variar dos atuais 7 mil para 17,5 mil reais em 2018 – valor a ser consolidado através de subsídio. O Palácio Piratini propôs que um agente policial, no mesmo período, passe dos atuais 2,2 mil para 3,7 mil como remuneração total bruta através de subsídio. Considerada alta hoje, a diferença entre a remuneração de ambos saltará de 311% para 470%. A Ugeirm defende diminuição do abismo salarial, mas o governo propôs aumentá-lo.Tal como no DEIC, também deve ser agendada plenária semelhante com agentes policiais do Denarc, outro departamento numeroso e “linha de frente” da Polícia Civil gaúcha. Já existe agenda de reunião com agentes que são instrutores da Academia de Polícia Civil (Acadepol), onde existem atualmente 250 inspetores e 250 escrivães em formação. Responsáveis pela maioria das disciplinas práticas, os agentes vão decidir sobre atividade docente junto aos futuros colegas – na terça-feira, dia 7 de fevereiro, vão decidir se interrompem aulas imediatamente ou após eventual deflagração da greve, a partir de março. Diretores do sindicato percorrem também diversas regiões policiais do interior, que também está revoltada com a proposta recebida pelo governo.Agentes policiais gaúchos têm exigência de nível superior. A despeito dos esforços empreendidos pela categoria ante o grave déficit de efetivo da Polícia Civil, estão entre os mais mal remunerados do comparativo nacional de salários. Um agente da Polícia Federal, como é do conhecimento do ex-ministro da Justiça, Tarso Genro, tem inicial de quase 8 mil reais – e um delegado da PF ganha cerca de 13 mil reais no início da carreira. Comparada à realidade de outros estados brasileiros, inclusive que tiveram greves recentes, como o Ceará, a PC gaúcha é pior. Nesta semana, eclodiu a greve de soldados da PM da Bahia (nível médio de escolaridade), que hoje têm remuneração bruta total de 2,2 mil.(*) Agentes policiais do Rio Grande do Sul não devem mais elaborar relatórios de inquéritos policiais, bem como devem exigir a presença de delegados em todos os flagrantes e na condução de oitivas de indiciados, de vítimas e de testemunhas, dentre outras disposições trazidas pelo Código de Processo Penal.