China, Rússia e Brasil vão usar a cúpula do G8 desta semana na Itália para defender a visão de que o mundo precisa procurar uma nova moeda de reserva global como alternativa ao dólar, disseram autoridades nesta terça-feira (7).
Entretanto, enquanto líderes do grupo dos oito países mais ricos e as maiores potências em desenvolvimento viajam para a Itália para o encontro de três dias que tem início na quarta-feira (8), parece improvável que o debate sobre a moeda tenha alguma menção específica nos documentos da cúpula.
Mas tanto a Rússia quanto o Brasil repetiram os pedidos da China para que um debate sobre a moeda global seja abraçado por líderes mundiais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que está bastante interessado em explorar "a possibilidade de novas relações comerciais não dependentes do dólar" e a Índia também se colocou aberta à discussão.
Debate sobre câmbio
Alemanha, França e Canadá, no entanto, descartaram um debate detalhado sobre moeda global na cúpula. Uma fonte do gabinete do presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que o G8 "não é de maneira geral o fórum (...) para discussão das taxas de câmbio".
O ministro de Finanças da Alemanha, Peer Steinbrueck, afirmou na segunda-feira (6) que o dólar tende a continuar como moeda de reserva global, mas que o iuan e o euro devem ganhar importância aos poucos.
O debate é bastante delicado nos mercados financeiros, que se preocupam com os valores de ativos norte-americanos. China e outros países, apesar de insistirem na discussão, agem com cautela para não derrubar o dólar e Lula disse que a moeda será vital "por décadas".
A China, que detém até 70% de suas reservas de US$ 1,95 trilhão em moeda norte-americana, ressalta que o dólar ainda é a mais importante moeda de reserva.