Nós fizemos um teste e comprovamos que o menor valor em circulação anda mesmo desprezado.
É a sedução a base de centavos. Nos supermercados, nas lojas de roupas ou eletrônicos. “A sensação é de que ele está pagando menos do que efetivamente ele paga. O impacto psicológico junto ao consumidor é muito grande”, explica Sidnei Pereira do Nascimento, economista.
A dica é pedir o troco sempre que possível. O problema é que quase ninguém dá mais bola para um ou dois centavos.
O comércio aproveita para arredondar os preços para cima. O argumento é justamente o desprezo pela moedinha de um centavo. Pouco valor e moral em baixa no mercado.
Dono de uma loja de R$ 1,99, Vilmar separou para troco 500 moedas de um centavo e faz tempo que não sai nenhuma do caixa. “Ninguém pede mais, ninguém comenta mais”, diz.
Em um teste rápido, nas ruas de Londrina, comprovamos a humilhação. Primeiro deixamos duas moedas de R$ 0,25 na calçada. Dona Isaura passou e levou. “Eu trabalho de diarista, por isso eu seguro o dinheirinho”, revela.
Depois foi a vez das moedinhas de um centavo. Foram colocadas três delas, para compensar o tamanho e facilitar a visualização. Elas foram pisadas, atropeladas e ignoradas.
O Everton não viu, mas alertado pela nossa equipe, não perdeu tempo. “Só no ano passado em guardei R$ 5, 40 em moeda de um centavo. Dinheiro é dinheiro, vale tudo hoje”, garante.