Férias no Litoral Norte não precisam necessariamente ser perto no mar. A região tem diversas praias de água doce que podem servir como opção para passeios diferentes durante o verão. Uma delas é a Lagoa dos Barros, em Santo Antônio da Patrulha. O lugar recebe de 3 mil a 4 mil pessoas nos finais de semana procurando tranquilidade.O casal de Gravataí Scherinez e Amália Scherer, de 65 e 62 anos, encontrou essa qualidade no local e costuma passar o dia na beira da lagoa, se refrescando com o vento. "Para nós que somos idosos e para as crianças, a água da lagoa é maravilhosa, pois não tem buracos e ficamos mais seguros", conta o aposentado. A mulher dele não gosta muito do mar. Segundo ela, o oceano é mais sujo. A amiga dos dois Terezinha Melo, 65, pensa o mesmo. "Gostamos muito da tranquilidade e da limpeza daqui", diz.Segundo o salva-vidas Junior Santos, a lagoa é segura porque o vento sopra sempre em direção à margem e não tem repuxo. "Fizemos apenas três salvamentos desde dezembro nesta temporada, o que é um número baixo", explicaAlém do banho na lagoa, o local conta com churrasqueiras para quem quer passar o dia e preparar a própria comida. Além dos turistas, os moradores de Santo Antônio da Patrulha aproveitam o lugar e alguns não trocam ele pelo mar. "Já passei um mês na praia e não gostei. Prefiro a lagoa, porque a aqui não tem aquela areia fina e a água não fica da cor de chocolate", destaca a professora Mariângela Soares. Embaixo de uma árvore, ela lembrou que na orla marítima não tem sombra, somente a de guarda-sóis.A população de Santo Antônio da Patrulha aproveita as belezas do local, mas ainda fica com receio de algumas lendas contadas até hoje sobre a lagoa. A mais famosa é a aparição de uma mulher que teria sido assassinada pelo noivo na década de 1930 e abandonada nas águas. "A minha mãe conta que o homem não queria mais casar com ela e a matou vestida de noiva", relata uma das moradoras da cidade, Fátima Cardoso, 46. "Quando eu tinha 14 anos, entrei em um redemoinho dentro da lagoa e me afoguei. Tiveram que me tirar de lancha", lembra. O marido dela, Breno Torres, 45, não acredita na história. "É o que as pessoas contam. São lendas", afirma. Segundo os mais antigos, a morte da noiva, que se chamava Maria Luiza, nunca foi esclarecida. Outra crença no município é de que existia uma cidade onde hoje é a lagoa. O povoado teria sido tomado pelas águas e, por isso, diversos barcos afundariam na região.Na lagoa de águas calmas também é possível avistar a Ilha da Agasa - o nome faz referência à Associação Gaúcha do Açúcar S.A., que funcionou no local entre os anos 1960 e 1990 -, que forma uma enseada aonde só é possível ir de barco. O difícil acesso contribui para a preservação da fauna e da floral local.Apesar de aterrorizantes, as histórias não afastam os visitantes, e sim atraem pessoas curiosas para descobrir se há mesmo um fantasma de uma noiva, ou uma cidade perdida embaixo das águas. Até hoje, é difícil encontrar alguém que confirme ter visto a assombração ou que tenha perdido um barco sugado pelas águas, mas as lendas seguem sendo reproduzidas de pai para filho em Santo Antônio da Patrulha.