O mercado europeu teve dia de euforia nesta segunda-feira (10), motivado pelo anúncio de ajuda emergencial de quase US$ 1 trilhão oferecida por países europeus à Grécia e outros países excessivamente endividados.
O pacote, que serve como espécie de "cheque especial" colocado à disposição desses países, diminui o risco imediato de calote e de consequente enfraquecimento definitivo do euro.
O principal índice de ações europeias teve a maior alta em 17 meses nesta segunda, dia em que os bancos centrais da região começarem a comprar bônus de países da zona do euro.
De acordo com dados preliminares, o índice FTSEurofirst 300, que acompanha as principais empresas europeias, subiu 7,1%, a 1.036 pontos, na maior alta diária desde 24 de novembro de 2008. O indicador acumulou perdas de mais de 8% na semana passada.
A Bolsa de Paris registrou uma alta de 9,66% no fechamento, a terceira maior da história.
Londres também registrou uma forte alta, de 5,16%, ficando em 5.387,42 pontos.
O índice Dax 30 dos principais valores da Bolsa de Frankfurt encerrou a sessão desta segunda em alta de 5,30%, a 6.017,91 pontos. O Ibex-35, da Bolsa de Madri, fechou com avanço recorde de 14,43%, a 10.351,9 pontos. Em outras praças europeias, a Bolsa de Milão subiu 11,28%, a de Atenas ganhou 9,13% e a de Lisboa registrou uma alta histórica de 10,73%.
Segundo o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio Leal, a reação positiva ocorre porque o comprometimento dos países europeus em ajudar a Grécia e os países excessivamente endividados afasta o perigo mais temido por investidores na semana passada: de que o euro perdesse definitivamente sua força e desaparecesse como moeda.
"Porque uma das coisas que o mercado temia que poderia levar à ruptura do euro era a letargia dos dirigentes europeuis, que iam ficar empurrando os problemas com a barriga até que fosse tarde demais para resolver", afirma o economista. "O que aconteceu (com os mercados nesta segunda) é que a Europa mostrou uma reação mais rápida e mais forte (aos problemas gregos e dos países com déficit), e o cenário de ruptura do euro no curto prazo foi afastado", disse. De acordo com o economista, embora a ajuda financeira anunciada nesta segunda não resolva o problema econômico da Europa, serve como um "cheque especial" colocado à disposição desses países que enfrentam dificuldades, o que ajuda a restaurar a confiança perdida pelo mercado.
"Havia risco sistêmico porque os bancos até de países que estão em situação melhor também estão expostos à dívida da Grécia, da Espanha, de Poetugal (porque compraram títulos desses países). Em caso de moratória (calote), uma quebra em sequência seria inevitável. Pelo menos (o pacote) já elimina esse risco imediato de uma desconfiança generalizada", diz o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto.
O esforço de ajuda para a Europa também envolve medidas de bancos centrais para enfrentar tensões de financiamento e o plano do Banco Central Europeu (BCE) para comprar títulos dos governos da região.
(Com informações da Reuters e da AFP)
Fonte: Do G1, com informações da Reuters