Não te roube, o sortilégio
de eventos,
que agitam as praias,
o encanto da contemplação
do mar.
Desatento, não viste,
ainda ontem,
a cerca de rendas
tecida pela rebentação?
E nem percebeste
as nuvens de espumas
que as ondas revoltas
jogaram aos teus pés
Será que não sabes
que sob o telhado das ondas,
numa coreografia de cores,
agita-se um universo
marinho?
(Debaixo do teu chapéu,
também existe
um despercebido universo).
Movido pelos cordames
do Sol, ganhas as praias.
Nem lembras
que em dias turvos
reencontras a infância
num banho de chuva e mar?
Vens à tona de um mergulho
e tens no rosto água doce
e a salinidade do mar.
Tens em tuas descobertas
andar e andar
por praias desertas
em noite de Lua clara?
Contempla
esse cardume de estrelas
preso nas redes da noite,
Ouve as sereias em ladainhas
entoando preces às ondas.
Entrega aos distantes navios
o fútil devaneio
dos veraneios.
Amar o mar
é tornar-se íntimo da imensidão,
amar o mar
é desvendar os segredos
do mundo.