O secretário de segurança da cidade egípcia de Port Said (norte), onde pelo menos 74 pessoas morreram na quarta-feira à noite em atos de violência após uma partida de futebol, foi demitido. O ministro do Interior, Mohamed Ibrahim, decidiu destituir Esam Samak do cargo "após os acontecimentos de Port Said", informou a agência Mena. O caos explodiu após o fim da partida em que Al-Masry venceu o e Al-Ahly por 3 a 1. Centenas de torcedores do Al-Masry, clube de Port Said, invadiram o gramado e atiraram pedras e garrafas contra os torcedores do Al-Ahly, equipe do Cairo. O Exército foi mobilizado na cidade, que fica na entrada norte do canal de Suez, para evitar novos confrontos. A polícia anunciou a detenção de 47 pessoas. Caos total O técnico português Manuel José, que comandava o time do Al-Ahly, disse que viveu cenas de "caos total". "Já era possível sentir a tensão durante o jogo. E quando terminou, milhares de pessas invadiram o gramado. Nem consegui chegar ao vestiário com toda esta confusão. Apesar de protegido por seguranças, recebi golpes na cabeça e no pescoço, mas estou bem", declarou o treinador português à imprensa do seu país."Parecia guerra", relatou Mohammed Abu Trika, um dos jogadores do time do Al Ahly, que escapou ileso da tragédia ocorrida durante a partida contra o Al Masry. "Não havia ninguém para nos proteger", acusou o meia Mohamed Barakat.Irmandade Muçulmana acusa simpatizantes de MubarakA Irmandade Muçulmana acusou simpatizantes do ex-presidente Hosni Mubarak de serem responsáveis por estes confrontos. "Os eventos de Port-Saïd foram premeditados e são um recado dos partidários do antigo regime", afirmou o deputado Essam al-Erian num comunicado publicado no site do Partido da Liberdade e da Justiça (PLJ), formação política da Irmandade Muçulmana.Aviões militares foram recrutados após incidentesAviões militares foram enviados a Port Said para levar torcedores e jogadores do Al Ahly de volta para a capital Cairo. Diante do "maior desastre da história do futebol egípcio", conforme disse o ministro da Saúde, Hesham Sheiha, os jogos do campeonato nacional foram suspensos por tempo indeterminado e o Parlamento convocou uma reunião emergencial sobre o caso.O presidente da Fifa, Joseph Blatter, também já se manifestou sobre a tragédia, dizendo estar "muito chocado e triste" com a notícia e mandando suas condolências aos familiares das pessoas que morreram em Port Said. "É um dia negro para o futebol. Uma situação catastrófica como essa é impensável e não deveria acontecer", afirmou o dirigente suíço.Veja a invasão e os conflitos dentro do gramado:
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